segunda-feira, 26 de outubro de 2026
SAÚDE

Como cuidar da saúde durante o período de chuvas em Manacapuru

Veja como proteger a saúde durante o período de chuvas em Manacapuru, com orientações sobre água potável, alimentos, prevenção da dengue, contato com alagamentos, leptospirose e sinais que exigem atendimento médico.

O período de chuvas exige atenção redobrada com a saúde em Manacapuru. O aumento do volume de água pode favorecer alagamentos, contaminar reservatórios, espalhar resíduos e aproximar animais peçonhentos das áreas residenciais. A umidade também cria condições para o acúmulo de água parada, que pode servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti.

Os principais cuidados envolvem evitar o contato com água de enchentes, utilizar água segura para beber e preparar alimentos, manter a casa livre de recipientes que acumulem água e procurar atendimento diante de sintomas como febre, vômitos persistentes, sangramentos, falta de ar ou sinais de desidratação.

As orientações abaixo têm caráter informativo e não substituem uma avaliação profissional. Em caso de sintomas ou exposição a situações de risco, a recomendação é procurar uma unidade de saúde.

Evite contato com água de alagamentos e enchentes

A água acumulada nas ruas, quintais e áreas próximas a igarapés pode conter esgoto, lixo, produtos químicos, fezes de animais e microrganismos capazes de causar doenças. Por isso, não é recomendado atravessar áreas alagadas sem necessidade nem permitir que crianças brinquem ou nadem nesses locais.

O contato com água ou lama contaminada aumenta o risco de leptospirose, doença causada por uma bactéria presente principalmente na urina de ratos infectados. A transmissão pode ocorrer quando a água entra em contato com ferimentos, mucosas ou mesmo com a pele que permaneceu imersa por muito tempo. O Ministério da Saúde orienta evitar áreas alagadas e usar luvas e botas de borracha quando a limpeza for indispensável.

Se a entrada em uma área alagada for inevitável, é importante proteger pés e mãos, cobrir ferimentos e lavar o corpo com água limpa e sabão depois do contato. Roupas, calçados e objetos atingidos pela água devem ser higienizados ou descartados quando não puderem ser desinfetados com segurança.

Redobre a atenção durante a limpeza da casa

A limpeza de ambientes atingidos por enchentes deve ser feita com cuidado. A lama pode permanecer contaminada mesmo depois que a água baixa. O ideal é usar botas e luvas de borracha, manter crianças e animais afastados do local e evitar o contato direto com paredes, móveis, pisos e objetos cobertos por resíduos.

O Ministério da Saúde recomenda retirar a lama usando proteção adequada, lavar as superfícies e fazer a desinfecção conforme as orientações sanitárias. Produtos químicos nunca devem ser misturados, principalmente água sanitária com ácidos, amônia ou outros limpadores, pois a combinação pode liberar gases tóxicos.

Durante a limpeza, também é necessário observar a presença de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas. Eles podem se esconder em entulhos, caixas, móveis, roupas, calçados e locais escuros. Antes de vestir uma peça ou calçar um sapato que ficou guardado, verifique o interior do objeto. Não tente capturar o animal; em caso de acidente, procure atendimento médico.

Use somente água segura para beber e cozinhar

Chuvas intensas e alagamentos podem comprometer redes de abastecimento, poços, caixas-d’água e outros reservatórios. A água pode parecer limpa e ainda assim estar contaminada. Por isso, durante situações de inundação ou suspeita de alteração no abastecimento, a população deve seguir as orientações da autoridade de saúde e utilizar água potável, filtrada, fervida ou adequadamente clorada para consumo.

A água usada para beber, preparar alimentos, fazer gelo, escovar os dentes e tomar medicamentos precisa ser segura. Também é importante lavar frutas, verduras e utensílios com água apropriada. Caso exista dúvida sobre a qualidade da água, não a utilize para consumo até receber orientação oficial.

As caixas-d’água devem permanecer bem fechadas e ser higienizadas periodicamente. Quando o reservatório tiver contato com água de enchente ou houver suspeita de contaminação, a limpeza e a desinfecção devem seguir as instruções da rede de saúde ou do serviço responsável pelo abastecimento.

Tenha cuidado com os alimentos

Alimentos que tiveram contato com água de enchente, lama, esgoto ou recipientes contaminados devem ser descartados. A mesma orientação vale para produtos com embalagem danificada, aberta, enferrujada ou que tenha entrado em contato com água imprópria.

Durante as chuvas, mantenha alimentos protegidos, cozinhe bem carnes e ovos e evite deixar comida pronta por longos períodos fora da refrigeração. Lave as mãos antes de preparar ou consumir alimentos e depois de usar o banheiro, trocar fraldas, limpar ambientes ou manusear lixo.

A ingestão de água e alimentos contaminados pode provocar doenças diarreicas agudas, vômitos, dor abdominal e desidratação. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial porque podem se desidratar mais rapidamente.

Elimine criadouros do mosquito Aedes aegypti

A chuva pode deixar água acumulada em baldes, garrafas, pneus, vasos de plantas, lonas, calhas, caixas e outros objetos. Esses recipientes devem ser esvaziados, lavados e guardados de forma que não acumulem água. Pneus devem ficar em local coberto, garrafas precisam ser mantidas fechadas ou viradas para baixo e caixas-d’água devem permanecer tampadas.

Também é necessário limpar calhas, verificar ralos, retirar folhas e manter piscinas tratadas. Pratos de vasos de plantas devem receber areia ou ser eliminados. O Ministério da Saúde recomenda uma inspeção semanal em casa, já que o ciclo do mosquito pode ocorrer em poucos dias.

O combate depende da participação dos moradores e da atuação dos agentes de controle de endemias. Quando houver visita de profissionais identificados, é importante permitir a inspeção dos locais que possam servir de criadouro, seguindo as orientações fornecidas pela equipe.

Conheça os sinais de alerta da dengue

Febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo, manchas na pele, náuseas e mal-estar podem ocorrer em casos de dengue, mas os sintomas podem ser confundidos com outras doenças. A avaliação por um profissional de saúde é importante para orientar o acompanhamento e a hidratação.

Alguns sinais indicam necessidade de atendimento urgente: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento nas gengivas ou no nariz, sangue nas fezes ou na urina, tontura, desmaio, sonolência excessiva, irritabilidade, dificuldade para respirar e redução da quantidade de urina. O protocolo do Ministério da Saúde também considera sinais de alarme o acúmulo de líquidos e a queda da pressão.

Pessoas com suspeita de dengue devem evitar a automedicação. Alguns medicamentos podem aumentar o risco de sangramento. A escolha do remédio deve ser feita por um profissional, especialmente no caso de crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Fique atento aos sintomas da leptospirose

A leptospirose pode surgir entre um e 30 dias depois da exposição à água ou à lama contaminada, embora os sintomas apareçam com mais frequência entre sete e 14 dias. Os sinais iniciais incluem febre, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos e dor muscular, principalmente nas panturrilhas.

Também podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, tosse, vermelhidão nos olhos e sensibilidade à luz. Nos quadros graves, podem aparecer pele e olhos amarelados, sangramentos, falta de ar e redução da função dos rins. Ao apresentar febre ou dores no corpo depois de passar por enchente, esgoto ou lama, informe ao profissional de saúde que houve exposição.

O Ministério da Saúde recomenda procurar atendimento diante da suspeita. O tratamento é definido pela equipe de saúde, e a automedicação não é indicada.

Proteja crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas

Durante o período de chuvas, crianças devem ser mantidas longe de enxurradas, bueiros, valas, fios elétricos e estruturas danificadas. A água em movimento pode esconder buracos, objetos cortantes e animais. Mesmo que o nível pareça baixo, a correnteza pode provocar quedas e arrastamentos.

Idosos, gestantes, pessoas com deficiência e moradores com doenças crônicas podem precisar de ajuda para deixar áreas de risco, armazenar água segura, manter medicamentos protegidos e buscar atendimento. Medicamentos de uso contínuo devem ficar em local seco, dentro das embalagens originais e fora do alcance de crianças.

Pessoas com asma, rinite ou outras doenças respiratórias também podem sentir piora em ambientes úmidos, com mofo ou pouca ventilação. Sempre que possível, mantenha os cômodos arejados e evite permanecer em locais com forte cheiro de mofo após a inundação.

Quando procurar atendimento

A unidade de saúde deve ser procurada quando houver febre persistente, diarreia intensa, vômitos repetidos, sinais de desidratação, ferimentos causados por objetos ou animais, suspeita de dengue ou sintomas depois do contato com água de enchente.

É necessário buscar atendimento de urgência em situações como falta de ar, confusão mental, desmaio, sangramento, dor intensa, pele ou olhos amarelados, incapacidade de ingerir líquidos e piora rápida do estado geral.

Ao procurar o serviço de saúde, informe quando começaram os sintomas, se houve contato com água de enchente ou esgoto, se houve picada ou mordida e quais medicamentos foram utilizados. Essas informações ajudam a equipe a avaliar os riscos e definir a conduta adequada.

Prevenção deve continuar depois da chuva

Os cuidados não terminam quando a água baixa. É necessário revisar o quintal, retirar entulhos, vedar frestas, acondicionar corretamente o lixo, guardar alimentos em recipientes fechados e eliminar qualquer ponto de água parada. A limpeza de caixas-d’água, calhas e áreas externas reduz riscos que podem permanecer por vários dias.

Em Manacapuru, assim como em outros municípios sujeitos a períodos de chuva e variação no nível dos rios, acompanhar os comunicados das autoridades locais e seguir as recomendações da Defesa Civil e dos serviços de saúde é uma medida importante. A prevenção individual, combinada com ações de vigilância e saneamento, ajuda a reduzir a ocorrência de doenças relacionadas à água contaminada, aos mosquitos e aos acidentes em áreas alagadas.