terça-feira, 27 de outubro de 2026
Durango Duarte

Do acervo particular à sala de aula, IDD amplia a pesquisa sobre a história do Amazonas

Criado em 2016, o Instituto Durango Duarte organiza pesquisas sobre Manaus e o Amazonas a partir de jornais, documentos oficiais, fotografias e relatos. A produção inclui estudos sobre praças, cinemas, música, imprensa, borracha, Zona Franca e formação institucional da província.
durangoduarte-idd

Jornais antigos, documentos oficiais, fotografias e registros audiovisuais formam a base de uma produção dedicada à história do Amazonas. Criado em 15 de abril de 2016, o Instituto Durango Duarte (IDD) reúne pesquisas sobre Manaus e a região e transforma parte desse material em livros, artigos, vídeos e outras publicações.

A instituição é uma associação sem fins lucrativos voltada à preservação de acervos, ao incentivo à produção literária e à discussão de temas regionais. Sua atuação também inclui reuniões, palestras e cursos, além do estímulo a teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia.

Documentos como ponto de partida

Na produção do instituto, a imprensa aparece tanto como fonte quanto como objeto de estudo. Notícias antigas permitem acompanhar inaugurações, alterações na paisagem, conflitos e acontecimentos que marcaram diferentes períodos da capital amazonense.

A coleção 50 Anos Hoje organiza acontecimentos registrados nos jornais de Manaus por ano. O volume dedicado a 1970 reúne referências à explosão da caldeira da Santa Casa, à inauguração de praças e avenidas e ao centenário da Biblioteca Pública do Estado.

A organização cronológica coloca episódios cotidianos ao lado de transformações urbanas. Já os livros Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará concentram-se em momentos de tensão e controvérsia ligados aos jornais locais.

Essa relação entre imprensa e disputa institucional também está presente em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026. A obra investiga os conflitos de 1958 e 1959, período em que a publicação oficial do Estado se tornou espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

As mudanças na paisagem de Manaus

A memória urbana é outro eixo das pesquisas. Em 2009, Durango Duarte publicou Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico sobre os espaços da capital. O trabalho serviu de base para novas pesquisas sobre a cidade.

Em 2012, lançou 343 Manaus, publicação voltada à apresentação visual e turística da capital. A atenção aos espaços urbanos reapareceu em Praças históricas de Manaus, de 2023, que acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo locais que desapareceram.

Ao recuperar esses espaços, o livro registra usos e configurações que já não podem ser observados diretamente nas ruas. A obra também amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado no livro de 2009.

Os locais de convivência são abordados ainda em A Sétima Arte em Manaus, de 2017. O estudo percorre a história das salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais na cidade.

A música aparece em trabalhos como A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. As publicações ampliam o registro sobre a vida cultural da capital em diferentes períodos.

Borracha, província e Zona Franca

Parte do acervo e das pesquisas trata da formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia acompanha o ciclo da borracha e suas diferentes fases.

Já A Construção da Província do Amazonas, de 2025, examina o período de 1851 a 1859, após a separação do Grão-Pará. O livro aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é tema de um livro digital gratuito publicado em 2023. Organizada por Durango Duarte, a obra contou com a participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa. O trabalho aborda as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Experiência pessoal e produção acadêmica

A trajetória de Durango Duarte também se relaciona com parte dos temas pesquisados pelo instituto. Ele participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período foi retomado décadas depois em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com pessoas que participaram do movimento entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também atuou como professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

Segundo o instituto, a biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. O acervo não está disponível para consulta no momento. O público pode acessar os materiais publicados no portal do IDD.

Com a organização das fontes e a publicação de pesquisas, o Instituto Durango Duarte busca manter documentos, personagens, lugares e acontecimentos presentes no debate sobre a história do Amazonas. A proposta combina preservação documental, produção editorial e aproximação com a comunidade acadêmica.

Ver esta publicação no Instagram