Anamã reúne, em um mesmo território, marcas da exploração dos seringais, comunidades ribeirinhas e indígenas, produção agrícola e pesqueira e uma rotina influenciada pela subida dos rios. Localizado a oeste de Manaus, o município integra a Região Geográfica Imediata de Manacapuru e a Região Geográfica Intermediária de Manaus.
O painel Cidades e Estados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registra 9.962 habitantes no Censo de 2022 e área territorial de 2.382,521 km² em 2025. A densidade demográfica era de 4,07 habitantes por km² no Censo. A prefeitura relaciona 22 comunidades, embora a página municipal não informe o ano dessa contagem.
Uma formação ligada aos seringais e às margens dos rios
A formação de Anamã é associada à ocupação de áreas próximas aos rios, à busca por terras férteis e à exploração da borracha. O histórico publicado pela Prefeitura de Anamã menciona a presença de fazendeiros na região antes de 1843 e situa por volta de 1936 a chegada de antigos seringueiros vindos do Acre.
As fontes municipais também registram os nomes Alto Seringal e Princesa de Anori como denominações presentes na memória local. O primeiro se relaciona ao período da exploração da borracha. O segundo teria sido utilizado por moradores na década de 1960. Esses registros populares não correspondem necessariamente a denominações administrativas oficiais.
A emancipação ocorreu em 1981, por meio da Emenda Constitucional estadual nº 12, quando Anamã se desmembrou de Anori. O histórico municipal informa que Sebastião Pacheco Teles, então vereador de Anori, venceu as primeiras eleições municipais, realizadas em 1982.
O aniversário oficial é celebrado em 31 de janeiro, conforme a Lei Municipal nº 298, de 26 de setembro de 2017. A data passou a integrar o calendário de referências administrativas e da memória coletiva do município.
O nome e a diversidade das comunidades
A origem do nome Anamã é apresentada pela prefeitura a partir de uma pesquisa de Ivany Jamys Ferreira Régis sobre o nheengatu, língua de base tupi historicamente utilizada na Amazônia. O estudo recupera registros do vocabulário de Ermanno Stradelli, publicado em 1928.
Entre os sentidos registrados estão “espesso”, “desmamado” e uma denominação de marreca. A variedade de significados não permite estabelecer uma única tradução nem afirmar, sem documentação adicional, que o nome tenha sido escolhido especificamente por causa da vegetação ou de bebidas indígenas.
A descrição municipal informa que Anamã faz divisa com Anori ao norte e a oeste, Beruri ao sul e Manacapuru a leste. O clima é equatorial, quente e úmido. Nesse ambiente, os rios influenciam a circulação, a produção e a organização das comunidades.
Entre as localidades relacionadas pela prefeitura estão Arixi, Cuia, Novo Brasil, Mato Grosso e Nossa Senhora de Nazaré. Também aparecem São José e Eware, identificadas como comunidades Tikuna, além de Bom Jesus, Nova Esperança e Santa Luzia, associadas ao povo Kokama, na Ilha do Camaleão.
A relação evidencia que a organização municipal não se limita à sede urbana. Diferentes formas de vida comunitária, conhecimentos, práticas produtivas e vínculos territoriais fazem parte da formação social de Anamã.
Indicadores mostram um município de baixa densidade populacional
Os dados do IBGE ajudam a dimensionar as características demográficas e econômicas de Anamã. A população estimada para 2026 é de 9.981 habitantes, 19 pessoas acima do número registrado no Censo de 2022. A diferença equivale a aproximadamente 0,19% na comparação entre a estimativa e a contagem censitária.
A escolarização de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos aparece em 97,93%, segundo o indicador referente a 2022. Esse dado mede a matrícula ou a frequência escolar considerada pelo indicador, mas não representa, por si só, a aprendizagem dos estudantes.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Anamã é de 0,594, conforme o dado de 2010. O índice está na faixa de baixo desenvolvimento humano e não deve ser confundido com uma medição atualizada das condições sociais do município.
O painel registra mortalidade infantil de 11,36 óbitos por mil nascidos vivos em 2025. Para interpretar esse número e identificar tendências, é necessária a comparação com uma série histórica. O mesmo cuidado se aplica ao PIB por habitante, que foi de R$ 15.528,45 em 2023 e representa uma média da produção econômica, não a renda individual dos moradores.
Nas contas públicas, as receitas brutas realizadas somaram R$ 104.407.370,57 em 2025, enquanto as despesas brutas empenhadas alcançaram R$ 85.950.030,37 no mesmo ano. Os valores são os apresentados pelo IBGE conforme os anos de referência disponíveis no painel municipal.
Agricultura, pesca e extrativismo na economia local
A agricultura e a pesca estão entre as principais atividades associadas à economia de Anamã. A estrutura municipal inclui a Secretaria de Produção Rural e Abastecimento, responsável por atribuições relacionadas à agricultura familiar, à pecuária, à pesca artesanal e ao extrativismo sustentável.
Entre as funções previstas para a área estão o apoio técnico, o acesso a crédito e o incentivo ao associativismo. Essas atividades conectam a economia do município às condições ambientais e às formas de produção desenvolvidas nas comunidades.
O ambiente de rios e lagos também aparece como possibilidade de uso turístico. A Amazonastur destaca áreas para banho e cita os lagos Membeca e Patuá como locais para pesca esportiva. A informação identifica atrativos naturais, mas não apresenta número de visitantes nem a participação do turismo na economia municipal.
As cheias alteram a rotina e exigem planejamento
A relação com os rios se torna mais evidente durante os períodos de cheia. A elevação das águas pode atingir áreas urbanas e rurais, modificar deslocamentos e exigir mudanças temporárias na rotina dos moradores. Reportagens registram o uso de canoas em ruas tomadas pela inundação.
Em 9 de junho de 2025, o Governo do Amazonas homologou situação de emergência em Anamã por meio do Decreto nº 51.871. O documento registrou inundações provocadas pela elevação dos rios Solimões e Anamã, com danos materiais, ambientais, econômicos e sociais em áreas urbanas e rurais.
A estrutura municipal de Defesa Civil prevê o monitoramento de áreas de risco, o planejamento preventivo, a assistência às famílias e a atenção às cheias periódicas do Solimões. Essas atribuições colocam o regime das águas no centro da organização dos serviços e do planejamento urbano.
O apelido “Veneza do Amazonas” é associado justamente à transformação de áreas urbanas durante as cheias. A expressão descreve a presença da água no cotidiano, mas não substitui a análise dos impactos específicos sobre moradia, circulação, produção e atendimento público em cada período.
Um município organizado entre a sede e as comunidades
A história e os dados de Anamã mostram um município cuja identidade não pode ser separada do território fluvial. A herança dos seringais ajuda a explicar a formação histórica; as comunidades ribeirinhas e indígenas revelam a diversidade social; e a agricultura e a pesca mantêm vínculos diretos com o ambiente.
Ao mesmo tempo, as cheias impõem demandas permanentes de prevenção, resposta e continuidade dos serviços. A dinâmica dos rios interfere na ocupação, nos deslocamentos e nas atividades econômicas, fazendo com que a administração municipal precise considerar as diferenças entre a sede urbana, as áreas rurais e as comunidades espalhadas pelo território.
Com baixa densidade populacional, produção baseada em atividades rurais e presença de comunidades tradicionais, Anamã combina memória histórica e desafios atuais de gestão. Seus indicadores demográficos, econômicos e sociais ajudam a retratar a estrutura municipal, enquanto a recorrência das cheias evidencia a importância do planejamento adaptado às condições amazônicas.
